Por Daniel Benedetti

O dia 26 de novembro de 1983 ficou marcado como a data em que, pela primeira vez na história, um álbum de uma banda de Heavy Metal chegava ao topo da Billboard 200, a principal parada de sucessos norte-americana. O feito foi conquistado por Metal Health, terceiro disco da banda Quiet Riot.

A história de como Metal Health surgiu é envolvida em drama (e uma dose de acaso), sendo curiosa de se acompanhar.

O Quiet Riot foi fundado pelo guitarrista Randy Rhoads e pelo baixista Kelly Garni, na cidade norte-americana de Los Angeles, em 1973. Completavam a banda o vocalista Kevin DuBrow e o baterista Drew Forsyth. Em meados da década de 1970, o Quiet Riot havia se firmado como um dos nomes mais conhecidos da cena “underground” de Los Angeles, tendo sido banda de abertura diversas vezes para o Van Halen nos clubes noturnos da cidade. Após anos de trabalho intenso, em 1977, o grupo finalmente conseguiu um acordo com uma gravadora, a Sony Records, mas o contrato previa o lançamento de 2 álbuns apenas no Japão. A estréia, Quiet Riot, foi lançada em 1977 e Quiet Riot II, em 1978.

A esta altura, tensões especialmente entre o vocalista Kevin DuBrow e o baixista Kelly Garni estavam atingido níveis insuportáveis, resultando com a saída de Garni do conjunto, tanto que o baixista, apesar de ter tocado, não foi creditado em Quiet Riot II. Rudy Sarzo foi o substituto de Kelly, sendo creditado e fotografado como baixista da banda no disco, embora tenha entrado no grupo após a conclusão da gravação. Em 1979, a chamada “pá de cal” aconteceu para esta formação do Quiet Riot. Após o último show da turnê do grupo, em setembro, o guitarrista Randy Rhoads aceitou um convite para uma audição, em um estúdio de Los Angeles, para a nova banda de Ozzy Osbourne, o qual, na época, havia acabado de deixar o Black Sabbath.

Kevin DuBrow of Quiet Riot performs on the TV show “Solid Gold” Los Angeles, California. (Photo by Ron Wolfson/WireImage)

Bem, o resto é de conhecimento geral.

A saída de Rhoads encerrou as atividades do Quiet Riot. DuBrow e Forsyth seguiram em frente com a adição do guitarrista Greg Leon e o ex-baixista do grupo Suite 19, Gary Van Dyke. Durante o período entre os anos de 1980 e 1982, a banda mudou seu nome para ‘DuBrow’ e também fez shows com o ex-baterista do grupo Gamma, Skip Gillette. No início de 1982, Kevin DuBrow telefonou para Rhoads, pedindo sua permissão para retornar a usar o nome Quiet Riot, em uma busca por uma nova formação do grupo, que incluiria o guitarrista Carlos Cavazo e o baterista Frankie Banali. Randy não viu objeções.

Entretanto, aos 25 anos de idade, tragicamente, Randy Rhoads faleceu no dia 19 de março de 1982, em Leesburg, na Flórida, em um acidente com uma aeronave do modelo Beechcraft F35.

Algum tempo depois, DuBrow telefonou para Rudy Sarzo convidando-o para gravar a faixa “Thunderbird”, uma homenagem a Randy, com o grupo. Sarzo havia deixado a banda de Ozzy Osbourne há pouco tempo, alegando dificuldades em lidar com a perda do amigo e companheiro de grupo. DuBrow, Sarzo, Cavazo e Banali se divertiram bastante gravando a canção em homenagem ao falecido amigo e, aquilo que seria apenas uma faixa, acabou se tornando metade de um álbum. Sarzo, então, retornou como baixista definitivamente ao grupo, o qual estava em dúvidas em usar o nome Quiet Riot. Foi a mãe de Randy, Dolores, quem deu o aval para que seguissem com a denominação original da banda. O renomado produtor Spencer Proffer auxiliou o Quiet Riot a conseguir um contrato com a CBS Records para o lançamento de um álbum. O próprio Spencer realizaria a produção do disco, no The Pasha Music House, em Hollywood, onde as gravações ocorreriam, ainda em 1982.

Metal Health viria ao mundo em 11 de março de 1983.

“Metal Health (Bang Your Head)” abre o disco com peso e agressividade na dose perfeita, muito graças a um ótimo riff e um refrão empolgante. Um verdadeiro símbolo do Hard Rock dos anos 80. A versão do Quiet Riot para” Cum On Feel the Noize”, clássico do Slade, é repleta de um ritmo contagiante, um ar ‘cinquentista’ e se tornou o maior sucesso do grupo, contando com ótimos vocais de DuBrow e um inspirado solo do guitarrista Carlos Cavazo.

“Don’t Wanna Let You Go” quebra um pouco do ritmo inicial, tendo um ritmo mais suave, lento e cadenciado, abusando do groove, com Kevin DuBrow cantando de maneira um tanto quanto mais contida. “Slick Black Cadillac” é uma regravação de uma canção do próprio Quiet Riot lançada em 1978, no seu segundo álbum de estúdio, o QR II. Possui riff bem pesado e rápido, lembrando o Van Halen setentista. O andamento arrastado da ‘Power Ballad’ chamada Love’s a Bitch é incrementado por bons vocais de DuBrow. “Breathless” é um típico Glam Metal oitentista, com um riff interessante. Run for Cover é bem mais agressiva e flerta bastante com o Heavy Metal tradicional, contando com um bom trabalho de Cavazo. “Battle Axe” é um pequeno solo do próprio Cavazo.

A empolgante “Let’s Get Crazy” parece retirada de um dos melhores momentos de “Fly on the Wall”, do AC/DC (o qual foi lançado 2 anos depois, diga-se). Por fim, “Thunderbird” se apresenta com sonoridade suave, embasada por uma lindíssima melodia, tornando-se uma tocante canção. Os vocais de DuBrow estão mais sutis e se casam de maneira belíssima com o ritmo da música.

“Metal Health (Bang Your Head)” até fez algum barulho em termos de paradas de sucesso, mas foi a matadora versão para “Cum On Feel the Noize” quem alavancou o álbum para o topo da Billboard 200. Os videoclipes gravados para ambas também tiveram intensa circulação na MTV dos Estados Unidos. O single “Cum On Feel the Noize” chegou ao 5º lugar da Billboard Hot 100 em novembro de 1983, auxiliando a Metal Health desbancar Synchronicity, do The Police, do topo da principal parada norte-americana de discos.

Quiet Riot 1983 Rudy Sarzo, Kevin DuBrow, Frankie Banali, Carlos Cavazo (Photo by Chris Walter/WireImage)

Metal Health é um álbum símbolo da época em que foi concebido, ponto mais alto da carreira do Quiet Riot, e um dos principais discos do chamado Glam Metal. Para fãs deste tipo de sonoridade – caso deste escriba – é um item especial, mas que, contudo, pode soar extremamente datado para o restante dos ouvintes.

Portanto, Metal Health foi um tremendo sucesso comercial e supera a casa de 6 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos. Além disso, o álbum foi fundamental na divulgação da cena Glam Metal de Los Angeles, auxiliando na promoção de outras bandas como Mötley Crüe, Ratt e W.A.S.P., por exemplo.

Também é verdade que o Quiet Riot jamais chegou a sequer emular algo que pudesse repetir o sucesso (e a qualidade) de Metal Health. Condition Critical [1984], lançado no ano seguinte, até vendeu bem, mas depois disso, nunca mais a banda foi a mesma.

Tracklist:

  1. Metal Health (Bang Your Head)
  2. Cum On Feel the Noize
  3. Don’t Wanna Let You Go
  4. Slick Black Cadillac
  5. Love’s a Bitch
  6. Breathless
  7. Run for Cover
  8. Battle Axe
  9. Let’s Get Crazy
  10. Thunderbird

14 comentários

  1. Igor Maxwel

    Falei muito deste álbum aqui na Consultoria, e finalmente o Quiet Riot com seu álbum mais famoso aparece aqui no site. Metal Health é com certeza um disco histórico dos anos 1980, mas o triste é que depois disso a carreira deste grupo realmente desandou. Fica então a homenagem da consultoria a esta tão subestimada banda e também a memória do vocalista Kevin Dubrow, líder e o mais carismático membro, que nos deixou em 2007 devido ao uso abusivo de drogas. Mas o importante é que o nome do Quiet Riot já está escrito na história do rock, goste-se ou não!

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  2. André Kaminski

    Sempre notei um problema no Quiet Riot: falta de grandes composições.

    Não há como questionar a qualidade dos músicos que passaram pelo Quiet Riot: estão o que há de melhor dentro do hard rock. Praticamente uma seleção. Mas incrível que a banda nunca obteve grande destaque em suas composições próprias enquanto nos shows ao vivo detonavam. E pior é o fato de que sua música de maior sucesso é um cover do Slade.

    Talvez Kevin DuBrow tenha sido o responsável por isso e não dar liberdade par aos outros também contribuírem. Não sei exatamente, mas aí se comparar com Ratt, Cinderella, Dokken, Mötley Crüe… todas com discografias superiores ao Quiet Riot. Mas que a banda sempre teve grandes instrumentistas, ah isso teve.

    Ainda assim, gosto muito desse disco e de mais alguns da discografia deles, mesmo que não tenham feito grande sucesso ou tenham hits tais como este.

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    • Daniel Benedetti

      Eu concordo com sua observação sobre as composições próprias do Quiet Riot, André. Confesso que não tenho conhecimento para corroborar, ou não, com sua tese(sobre o DuBrow), mas o fato é que Metal Health é o oásis de criatividade da banda, pois contém praticamente todas as mais famosas canções autorais do grupo como “Metal Health (Bang Your Head)”, “Don’t Wanna Let You Go”, “Love’s a Bitch” e “Slick Black Cadillac” (essa ainda da época do Rhoads). Mas perto de outras bandas do estilo, eu também acho que eles realmente ficam para trás. Abraço.

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      • Anônimo polêmico

        O W.A.S.P. era a melhor banda de hard rock americana dos anos 80, eles não tinham pra ninguém. O Quiet Riot possui algumas composições boas e nada mais. O Quiet Riot veio tocar no Brasil em 1985. O Robertinho de Recife foi quem abriu para eles, e depois do show entregou uma cópia do disco do Metalmania(a banda do Robertinho de Recife) para os caras do Quiet Riot e o Robertinho depois flagrou Kevin Dubrow e cia quebrando o disco do Robertinho de Recife no camarim. Ele ainda contou que o vocal Kevin Dubrow era um grandessíssimo babaca, arrogante e nariz empinado. Segundo o próprio, o único da banda que foi realmente simpático e gentil com eles foi o baterista Frankie Banali que ainda elogiou os caras do Metalmania.

  3. Renato França

    Certa vez,o irmão de um amigo meu ganhou um álbum do Quiet Riot de aniversário,e no mesmo dia jogou fora

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    • Anônimo polêmico

      Fez bem, é ruim ficar acumulando lixo em casa!!!! O Quiet Riot e nada era a mesma coisa, eles nunca chegaram aos pés do Ratt, do WASP e do Dokken.

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  4. CLEIBSOM CARLOS

    Este disco é uma desgraça e não há nostalgia que o tire da ruindade absoluta!!!!Nada se salva nele e mesmo o cover do Slade, se a pessoa se dispuser a ouvir a versão original verá que o Quiet Riot estragou uma música excelente…

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    • Anônimo polêmico

      E essa versão do Slade do Quiet Riot já encheu os culhões, é uma música saturada.

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      • Igor Maxwel

        Saturada ou não, tornou-se um hit que até hoje não sai de moda! Pois como diz o nosso presidente Bolsonaro, “Aceita que dói menos!”

      • Anônimo polêmico

        Nosso presidente vírgula meu caro, eu não reconheço governo neonazista.

      • Igor Maxwel

        Se você não quer aceitar, pelo menos respeite por favor, que não custa nada!

    • Igor Maxwel

      Caro Cleibson, se você estivesse falando assim dos discos que vieram depois de Metal Health, eu concordaria, mas dizer que “este disco de 1983 do Quiet Riot é ruim” é querer saber demais. Eu até gosto deste LP, acho todas as músicas bem legais e na minha opinião Metal Health resistiu muito bem ao teste do tempo e até hoje está aí encantando headbangers em todo o mundo, ao contrário de outros discos adorados até hoje por fãs de diversos grupos que para mim envelheceram de maneira muito ruim (agora sim falando) aos meus ouvidos. Recomendo a você que lave bem a sua boca com sabão antes de falar de clássicos dos anos oitenta como este Metal Health!

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      • CLEIBSOM CARLOS

        Caro Igor, este disco é ruim demais sim e, se ele já era ruim na época de seu lançamento, hoje então seu destino único seria a lata do lixo, com imenso prejuízo para a lata de lixo!!!Não tente empurrar seu gosto pessoal sobre a história, pois este disco não entra em nenhuma lista séria dos melhores discos de Hard Rock dos anos 1980. Eu mesmo gosto de muitos discos ruins, e estou pouco me lixando para a opinião das outras pessoas sobre estes discos, e não adianta eu tentar empurrá-los goela abaixo do mundo como “importantes”, porque eles não têm “importância” nenhuma…Os críticos gostam de alardear o fato deste disco ter sido o primeiro de heavy metal à ocupar a 1ª posição da Billboard, e isto é verídico, mas, independente disto, ele permanece sendo uma porcaria inominável…

      • Igor Maxwel

        Caro Cleibsom, você tem todo o direito de criticar este disco do Quiet Riot e dizer que a banda é ruim e tudo o mais (assim como eu também tenho direito de descer a lenha em discos do hard/heavy oitentista que eu considero ruins), porém eu continuo achando Metal Health incrível! Por favor, dê mais uma chance ao grupo do falecido Kevin Dubrow e passe a ter um pouco mais de carinho pelo som dos caras!

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