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Por Alisson Caetano

A internet não perdoa. Exatos dois meses antes da data oficial do lançamento de Vulnicura, nono disco de estúdio da cantora islandesa Björk, ser lançado, já podíamos conferir o resultado final, mesmo sem o disco ter sequer uma capa e um nome oficial.

Reconheço que a internet ajuda muitas bandas boas a promoverem seus discos, mas, após ouvir Vulnicura e suas nove faixas, fiquei com o receio de este vazamento prejudicar o seu desempenho, pois as pessoas precisam ouvir da forma correta este disco.

Quem conhece a carreira solo de Björk já tem ciência de suas experimentações com uma gama imensa de gêneros musicais, dentre eles a música japonesa, o minimalismo e musiqué concrete. Acima de todas as suas experimentações, Björk sempre soube elevar ao primeiro plano aquilo que ela possui de mais encantador: a sua voz.

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Talvez sem exceção, todos os seus discos são uma bela amostra de desenvolvimento vocal, e Vulnicura não é diferente disto. Björk canta sobre sua recente separação matrimonial de uma forma extremamente sentimental e emotiva. Sua voz não cativa pela sua potência, muito menos por ser algo peculiar, mas sim por sua delicadeza e por sua capacidade de transitar pelas mais diversas emoções de maneira muito fluida e sincera.

A música que acompanha a voz de Björk é quase uma trilha sonora. casando música clássica e trilhas de violino em evidência com sons eletrônicos (sutis) e um clima space que permeia o disco todo. Não é o disco mais experimental em termos instrumentais de sua trajetória, uma decisão deveras acertada.

Não vou dar destaque a nenhuma música em particular, pois todas são dignas de atenção, o tipo de disco que necessita ser apreciado em sua totalidade, desde “Stonemilker” até “Quicksand”, como uma trilha sonora.

Talvez seja um dos poucos discos atualmente que tenha o poder de falar com um público abrangente levando, consigo, uma musicalidade rica e uma mensagem mais aprofundada. 2015 começou com o pé direito e, desde já, temos o primeiro candidato a melhor disco do ano. Nota: 10

Tracklist:

1. Stonemilker

2. Lionsong

3. History of Touches

4. Black Lake

5. Family

6. Notget

7. Atom Dance

8. Mouth Mantra

9. Quicksand

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